Deixar a motocicleta na garagem por várias semanas pode parecer inofensivo, mas o tempo é um inimigo silencioso para a mecânica das duas rodas. Seja por uma viagem planejada, condições de saúde ou falta de tempo para rodar, uma moto estática exige cuidados específicos antes e depois desse hiato.
Se você não quer ter uma surpresa desagradável na hora de dar a partida, confira os principais problemas que podem ocorrer e como evitá-los.
1. A Bateria: O elo mais fraco
A bateria é o componente que mais sofre. Mesmo desligada, a moto possui pequenos consumos (como o alarme ou o relógio do painel) que podem descarregá-la completamente após algumas semanas sem uso além do próprio processo de autodescarga, que é um processo químico interno normal que ocorre em baterias.
- O problema: Uma bateria que chega à descarga profunda pode sofrer danos irreversíveis nas placas internas.
- A solução: Se possível, utilize um mantenedor de carga inteligente. Caso não tenha, desconecte o cabo negativo (-) da bateria. Isso irá interromper completamente o circuito elétrico, eliminando qualquer consumo.
2. Pneus: O risco de reformação
Quando a moto fica parada na mesma posição por muito tempo, todo o peso é concentrado em um único ponto de contato do pneu com o solo.
- O problema: Isso causa o “flat spot” (achatamento da carcaça), o que gera vibrações perigosas ao voltar a rodar.
- A solução: Calibre os pneus com a pressão máxima recomendada pelo fabricante antes de guardá-la. O ideal é usar o cavalete central para manter a roda traseira suspensa. Se possível, mude os pneus de posição semanalmente.
3. Combustível: A gasolina que “vence”
A gasolina comum brasileira possui uma alta porcentagem de etanol e começa a oxidar após 30 dias, dependendo das condições de armazenamento.
- O problema: O combustível velho cria uma espécie de “borra” ou verniz que entope bicos injetores ou giclês do carburador. Além disso, a umidade pode causar corrosão interna no tanque metálico.
- A solução: Se souber que a moto vai parar, abasteça com gasolina de alta octanagem (Premium), que tem maior estabilidade química e tem início o processo de oxidação de 6 meses a 1 ano de armazenamento. Dê preferência a manter o tanque cheio, diminuindo o espaço em que o metal do tanque terá contato com o oxigênio e consequentemente à oxidação.
4. Óleo do motor e lubrificação
O óleo não serve apenas para lubrificar, mas também para proteger as peças internas contra a oxidação.
- O problema: Com o tempo, o óleo decanta totalmente, deixando as partes superiores do motor “secas”. Além disso, óleo muito usado contém ácidos que podem agredir os metais se ficarem parados por meses.
- A solução: Se a moto for ficar parada por mais de dois meses, o ideal é trocar o óleo antes do armazenamento. Nunca ligue a moto por apenas 2 minutos na garagem; isso gera condensação de água no motor, o que é pior.
5. Corrente e partes petálicas
A umidade do ar é suficiente para criar pontos de ferrugem em uma corrente seca ou em partes cromadas.
- O problema: Oxidação da transmissão final e ressecamento de retentores.
- A solução: Limpe e lubrifique bem a corrente com desengraxante e óleo de transmissão antes de cobrir a moto com uma capa respirável.
Dica de Ouro: O Check-list do retorno
Antes de sair rodando após o período de pausa, verifique:
- Pressão dos pneus (eles perdem pressão naturalmente).
- Nível do fluído de freio (verifique se não há vazamentos).
- Funcionamento das luzes (faróis, setas, luz de freio e placa).
- Nível do líquido de arrefecimento (quando aplicável).
Se o período sem rodar com sua moto for superior a 6 meses, o recomendado é que uma revisão seja feita.
Cuidar da sua moto enquanto ela descansa garante que, na hora de acelerar, a única preocupação seja o destino!


